Sábado, Julho 11, 2009

DO MEU DIÁRIO

Santa Iria de Azóia, 11 de Julho de 2009 – O relatório de acompanhamento do caso BPN, produzido por uma comissão parlamentar, mereceu um voto contra de toda a oposição. Eu que de política pouco sei – e pouco sei de tudo em geral -, não compreendi o voto do PCP ao lado da restante oposição, sem, no mínimo, uma declaração de voto a demarcar-se da direita.

Bem sei que a Assembleia da República é o órgão político por excelência; bem sei que as questões criminais são com os tribunais e que os altos funcionários do banco de Portugal só poderão ser acusados politicamente de incompetência e de negligência; bem sei que Constâncio e a sua equipa têm lavado as mãos com as desculpas esfarrapadas de que nunca nada de semelhante tinha acontecido. O funcionário a quem o país paga milhões deveria assumir que errou rotundamente e daí tirar as devidas ilações.

Todavia, se a comissão parlamentar trata apenas da matéria política deste caso escabroso, não deveria fixar-se na supervisão e deixar passar a ideia de que não lhe interessam os ladões. Que têm nome e rosto e causaram danos incomensuráveis ao país. Danos que havemos de pagar, com língua de palmo e meio, durante muitos anos. Assim, percebo mal que o meu camarada Honório Novo possa votar ao lado de Nuno Melo e dos senhores do PSD, sem que deles se demarque através de uma explicação plausível.

Sexta-feira, Julho 10, 2009

Santa Iria de Azóia, 10 de Julho de 2009 – Não podia deixar passar este dia em claro, porque é o dia do aniversário do meu amigo João Teixeira. E se lhe faço uma referência aqui no “blogue”, é porque sei que ele aqui virá durante este dia. Longa vida, pois, ao João Teixeira; e, se puder ser, que o futuro lhe traga as maiores venturas. Ou no mínimo, que não lhe roube a ironia com que nos vai deliciando, no dia-adia.

Amanhã, é o aniversário do Manel Vaz, que também é meu amigo há décadas. Para ele vão também, apesar de saber que não passará por aqui, votos de muita saúde, para que possamos partilhar ainda por muitos anos o pão e o vinho.

Para ambos, aquele abraço!

Quarta-feira, Julho 08, 2009

DO MEU DIÁRIO

Ericeira

Santa Iria de Azóia, 8 de Julho de 2009 – Creio que já não ia à Ericeira há cerca de um ano. Esta ausência nada tem a ver com alguma infidelidade, porque o nosso amor é imorredoiro. Fui apenas um desencontro como muitos outros e o importante é colher sempre a sensação de quem regressa a casa, apesar de não ter casa nenhuma nesta vila do concelho de Mafra.


E lá fui à Praça da República tomar o pequeno almoço, ainda antes das oito da manhã, que os dias para serem produtivos começam-se cedo. Foi naquela pastelaria especializada em queques, mas que também tem outras coisas igualmente boas. Nomeadamente o pão, que é celebrado desde tempos imemoriais, apesar do mal que faz aos diabetes (ou à diabetes, como preferirem). A culpa não é do pão, mil vezes abençoado, mas das outras coisas todas que vamos metendo no bandulho.


Feito este inevitável excurso – hoje não almocei no Mar de Areia -, vamos ao que interessa. A Ericeira está agora ligada a Lisboa através de auto-estrada, o que significa que, sem grandes velocidades, dista de Lisboa cerca de meia hora, em dias normais, que são os meus preferidoa para ir e estar nesta terra simpática.

Terça-feira, Julho 07, 2009

DO MEU DIÁRIO

Santa Iria de Azóia, 7 de Julho de 2009 – Quem se der ao trabalho de frequentar “blogues” de gente ligada ao PS, verificará sem grandes dificuldades, que o partido que sustenta o Governo vive momentos de grande nervosismo.

Passo por dois desses “blogues”, o Aspirina B e o Jumento, que, a pés juntos, juram que são independentes, mas onde a oposição é tratada abaixo de cão. Sem qualquer distinção, da direita à esquerda.

O PS e a sua gente, regra geral, têm o hábito de receitar princípios aos outros e nomeadamente ao PCP. Ora estes insignes socialistas, esta inclita geração de socialistas, demonstra, no momento que passa, um comportamento verdadeiramente totalitário e nalguns casos ordinário.

Mário Nogueira é por vezes o alvo escolhido. Compreende-se a raiva. De certo modo, foi o comunista que mais mossa fez ao Governo. Ao democratíssimo Governo do Eng.º Sócrates e do Partido Socialista. Ao Governo que mais longe foi no desprezo pelos trabalhadores.

Segunda-feira, Julho 06, 2009

DO MEU DIÁRIO

Santa Iria de Azóia, 5 de Julho de 2009 – Quem viajar de Strasbourg para Frankfurt, e às coisas da agricultura quiser dar relevo, não poderá fugir das inevitáveis comparações. Adiante!

Num percurso de duas horas e meia por auto-estrada, o viajante há-de ver sucessivas plantações de milho, trigo, batata, beterraba e vinha; vinha, beterraba, batata, trigo e milho; milho, trigo, batata, beterraba e vinha. E isto de um e outro lado da fronteira franco alemã. É certo que a água é abundante e a terra adequada para aquelas culturas, mas as condições climatéricas e os solos não explicam tudo. Valorize-se, pois, a capacidade de realização dos povos francês e alemão.

Bem pode o senhor Jaime Silva fazer de ministro da agricultura deste rectângulo à beira mar. Bem pode a oposição reclamar por medidas e subsídios. Portugal precisa, antes de mais, de emparcelamento e de explorações de média e grande dimensões, porque só assim a agricultura poderá ser competitiva. Em nome do futuro, e de alguma independência alimentar, há que pensar e repensar o modo de poduzir, neste cantinho onde cresce a urze e o rosmaninho, mas também a giestra e a esteva. Aqui onde tudo parece caminhar para a desertificação.

É evidente que não temos a benção do Reno, que desde a Suiça até ao Mar, em Roterdão, é uma riqueza incomensurável para a Alemanha. E também para a Suiça, a França e a Holanda. Mas temos o vale do Tejo e também o Alqueva, que, com estudo e querer, podiam fazer de Portugal um país diferente. Agricolamente falando, como é óbvio!

Mas aqui continua a pensar-se que o nosso destino é o mar, que procuramos, pressurosos, em busca das frescas brisas e do calor lorpa dos areais. É que em Portugal, quando se sai, é com a febre de ir à praia, no Brasil, em Cuba ou no México. Cá sai-se da praia para ir à praia.


DO MEU DIÁRIO

Santa Iria de Azóia, 29 de Junho de 2009 – Em bom rigor, o aeroporto da Portela é já um anacronismo. Chega-se de Frankfurt, onde se respira modernidade e grandeza – e com grandes obras em curso – e por cá teima-se em querer adiar os grandes projectos de modernização do país. Bem sei que Portugal é um país pequeno e pobre, mas merece um novo aeroporto e o TGV. Portugal merece governantes sérios e audazes.

Mas também necessita de gestores e de trabalhadores competentes e empenhados. Ainda ontem assisti a um caso verdadeiramente lamentável. No tapete 8, onde se havia de recolher a bagagem do voo HL4532, os passageiros chegaram e tiveram de esperar cerca de quarenta minutos pelas suas malas e maletas. Mas pior, no tapete ainda rolavam quatro ou cinco malas de voos anteriores que não foram retiradas e quatro caixas amarelas, que, provavelmente, ainda continuaram a girar no referido tapete-rolante nas horas seguintes.

Em Frankfurt haveria, certamente, um funcionário ou um responsável que daria pela anormalidade e lhe poria cobro! Pois no pequeno e rasteiro aeroporto da Portela não!

Pequenos nadas que fazem toda a diferença. Por muito que nos doa.

Quinta-feira, Julho 02, 2009

DO MEU DIÁRIO

Praça Gutemberg

Strasbourg, 28 de Junho de 2009 – Dormir, quando tenho de viajar, está quieto, apesar de saber que me acordarão à hora combinada. Sendo esta a minha natureza, há que aproveitar o tempo, para não me deixar embalar pelas ideias do momento, que, de um modo geral, vão sempre bater na crise.
Em França registou-se, com algum optimismo, o facto de o desemprego de Junho ter decrescido 0,3% em relação ao do mês de Maio. No entanto, o desemprego é e há-de continuar a ser a grande chaga deste nosso querido modelo económico e social. Até um dia, meus amigos!
Quando se viaja de comboio, pode-se olhar à esquerda e à direita, placidamente, e apreciar a paisagem. Ao viajar para sul, constatei a pujança de enormes searas, idênticas àquelas de que já falei anteriormente e também a existência de centenas e centenas de pequenas hortas, mesmo às portas do verdadeiro coração político desta Europa que se quer una e múltipla. mas que tarda em encontrar um rumo verdadeiramente autónomo. E com a eleição quase garantida de José Barroso, o caminho será ainda mais difícil de fazer.
A morte de Michael Jackson continua a ocupar a “UNE” de todos os noticiários. Goste-se ou não do personagem, o seu desaparecimento foi um acontecimento pleanetário, o que significa que o cantor e “dançador” americano vivia no coração de milhões de pessoas.
Vou encostar, porque a viagem vai ser longa e tenho que me aguentar nas canetas. As viagens acrescentam sempre muita tralha à tralha com que se iniciam. É lembrança para A, é a coisinha para B, é a minha meia dúzia de livros. E transportar bagagem não é, decididamente, o meu forte.

Quarta-feira, Julho 01, 2009

DO MEU DIÁRIO

Em 1 de Julho de 1981, morreu um dos maiores poetas portugueses do séc. XX: CARLOS DE OLIVEIRA.
Um homem a quem coube em sorte um dicionário e uma votade férrea de dar às palavras a leveza dos pássaros.

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